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Crítica Literária

Vingança Além do Túmulo

Autor: João Maria (Espírito)
Médium: Assis Azevedo
Editora: O Clarim
Número de Páginas: 264
Lançamento: fevereiro de 2007

Análise de Marcus De Mario.

Existem romances e romances.

Há os que consagram seus autores na literatura mundial. Há os que fazem fama apenas em sua época. Há os que enriquecem qualquer biblioteca. Há os que se desgastam no popularesco.

Na produção literária espírita de cunho mediúnico, ou seja, de autoria espiritual, não é diferente. Afinal, o fato do autor ser um espírito, alguém desencarnado, não confere nenhum certificado de boa literatura. Há, entre os espíritos, os bons e os maus escritores, como também os medianos, exatamente como temos entre os escritores aqui da Terra.

Bem, como classificar esse romance? Ele não é um clássico da literatura espírita. Também não é uma "água com açúcar", como se costuma dizer de romances populares mais parecidos com novela televisiva. É, talvez possamos dizer, um bom romance para quem está iniciando no conhecimento espírita, pois aprenderá boas lições, mas, ao mesmo tempo, deixa a desejar literariamente e carrega em seu conteúdo alguns pequenos comprometimentos doutrinários.

A história apresentada é interessante, prende a atenção do leitor, ainda mais que está costurada por diálogos e mais diálogos entre os personagens, mas tudo sem aprofundamento psicológico, numa narrativa linear, pouco descritiva das cenas, típico de um escritor que ainda tem muito o que aprender das técnicas literárias.

Em alguns momentos o autor exagera nas lições morais e doutrinárias, colocando na boca dos personagens frases e pensamentos que ficariam melhor numa conversa entre um interessado em conhecer algo do Espiritismo e alguém disposto a ensinar-lhe os princípios básicos. E, por tratar-se de um romance, as várias transcrições de textos de obras espíritas não são bem vindas. Afinal, é um romance ou um livro de estudo?

Sem dúvida, é um romance que vai bem ao gosto popular, contudo, nada acrescenta ao conhecimento espírita ou mesmo, num espectro maior, à literatura espírita. É livro para sucesso meteórico nos clubes do livro espírita, pois é de fácil digestão, mas que, no final, deixa um gosto um pouco amargo, meio sem sabor, para o leitor que tinha a esperança de abrigar em sua alma aquele "algo mais" dos ensinos espíritas em forma romanceada.

Para não sermos injustos, nem com o autor, nem com o médium e nem com a obra, e finalizando nossa apreciação, diremos que, na classificação literária que abordamos no início deste texto, é uma obra mediana. Irá preencher a satisfação dos leitores ainda iniciantes, e deixará os mais estudiosos do Espiritismo e afeitos à literatura com gosto de decepção.