
La Fontaine
e o Comportamento Humano
Autor: Hammed
Médium: Francisco do Espírito Santo Neto
Editora: Boa Nova
Número de Páginas: 203
Lançamento: 2007
Análise de Marcus De Mario.
Nem toda boa intenção pode ser referendada doutrinariamente, entretanto isso não significa que a boa intenção produza coisa má. A questão toda está em que o Espiritismo, com sua abordagem imortalista e reencarnacionista da alma, tem muito a dizer, e de forma diferenciada e profunda sobre essa alma, e um livro com referencial psicológico, psicografado, portanto de autoria espiritual, e lançado por uma editora espírita, não pode ignorar. Mas "La Fontaine e o Comportamento Humano" ignora. É boa leitura, passa bons conceitos e só. Ficou no campo da auto-ajuda, com arremedos de ensinos psicológicos, e do Espiritismo, bem, quase nada.
As parábolas de La Fontaine são universais, trazem profundas lições e merecem estudo. A obra faz ressurgir as histórias desse escritor francês e entrega ao leitor estudos úteis, mas sem a lupa dos princípios espíritas, sem o escaneamento da alma pelo olhar imortalista/reencarnacionista da doutrina espírita, que comparece nos textos aqui e ali, mas de passagem, sem aprofundamento, o que lamentamos.
Digamos, antes que os críticos afoitos de plantão lancem seus gritos, que não condenamos a obra, que tem sua utilidade e é de leitura agradável, mas sentimo-nos desapontados pelo autor espiritual não ter aproveitado a oportunidade para um mergulho espiritual na alma e sua relações comportamentais consigo mesmo, com o próximo e com a lei divina, o que equivale a dizer com a vida.
Temos mais uma obra espírita que se insere na área de auto-ajuda. Se não contém erros doutrinários, pouco acrescenta aos estudos que o Espiritismo faz do homem e da vida, mantendo-se nos limites das referências psicológicas e dos conceitos imortalistas. Poderia ir além, muito além.